Uma das características mais atribuídas ao brasileiro é a solidariedade. É só ver toda a mobilização para ajudar as vítimas da chuva na serra do estado do Rio. Mas sempre tem uma exceção e uma delas veio parar do meu lado em um dia de metrô lotado.
Voltando de mais um dia de trabalho, consigo me sentar no metrô – o que é um milagre, já que as pessoas saem correndo igual selvagens em busca de um lugar. Ao meu lado, duas mulheres, mãe e filha sentaram naqueles lugares preferenciais.
Viagem tranquila até que se aproxima uma senhora e pede o lugar para a mais nova. Mas a mae se levanta – meio contrariada. Uma outra senhora ao lado, mas que era, digamos, mais inteira que a outra que solicitou seu lugar de direito, comentou: “nossa, você vai dar o lugar pra sua filha?” A mulher respondeu, muito seca: “ela é minha filha e não quero que ela levante”.
Até aí, nada demais, certo? Mas em seguida, o comentário feito pra filha:
“Esses velhos ficam andando na rua e vem querer o lugar, se ainda fosse uma grávida…”
Então é assim? idosos não tem o direito ao transporte coletivo? Passou dos 60, eles são condenados a ficar permanentemente em casa, sem direito a lazer ou qualquer rotina fora do lar?
Fiquei extremamente enojada de como existem pessoas que tem esse tipo de pensamento, sem pensar que, um dia, elas vão chegar nessa mesma idade, e vão passar pela mesma situação.
O pior foi fazer essse comentário pra própria filha. Espero que não assimile esse comentário inadmissível da mãe e que no futuro, cresça e seja mais educada do que sua mãe.
Comentários em: "A prova de que educação vem de berço" (1)
Estamos longe de termos um povo educado. Muito longe. Educação é trabalho com resultados a longo prazo. No nosso caso, nem demos a partida para tanto.
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